Pressão alta: 5 exames que ajudam a identificar o problema
 
Metade das pessoas que têm a pressão alta não sabe que não está com o coração saudável

Pressão alta: 5 exames que ajudam a identificar o problema

No Brasil, estima-se que 32% da população tenha pressão alta. O problema é ainda maior entre os idosos, já que 60% deles têm pressão acima do recomendado. Embora a hipertensão seja responsável por 50% das mortes por doenças cardiovasculares¹, metade das pessoas que sofre com o problema sequer sabe que não está com o coração saudável². Isso porque, na maior parte das vezes, a pressão descompensada não demonstra sintomas.

A forma mais simples de identificar a hipertensão é usando um esfigmomanômetro. O nome é complicado, mas você certamente já teve sua pressão medida com um aparelho desse tipo, que comprime o braço ao mesmo tempo em que o médico toca a artéria com o estetoscópio. O resultado desse exame deve ter mostrado dois números e, se você está bem de saúde, provavelmente foram os famosos 12 por 8. Mas, afinal, o que eles significam?

Para entender, é preciso primeiro saber que estamos medindo a pressão exercida pelo sangue dentro dos vasos sanguíneos, em decorrência dos batimentos cardíacos. A pressão não é algo fixo e pode variar instantaneamente de acordo com o estado da pessoa (se está em repouso, em atividade, tranquila ou estressada). O valor é considerado normal quando o máximo atinge até 120 mmHg e o mínimo não fica abaixo de 80 mmHg. Daí o tal 12/8.

Embora essa seja a forma mais conhecida de verificar a pressão, ela não é a única. Há outros exames que podem complementar o diagnóstico e até mesmo revelar outros problemas de saúde associados às alterações da pressão.

Veja alguns exemplos:

Tomografia cardíaca computadorizada

A tomografia cardíaca computadorizada é um teste de imagem indolor que usa raios-X para obter imagens detalhadas do coração e seus vasos sanguíneos. Os computadores são capazes de combinar essas imagens para criar um modelo tridimensional do coração e detectar ou avaliar doenças coronárias, acúmulo de cálcio nas artérias, problemas com a aorta, com a função cardíaca ou outras alterações que podem estar relacionadas ao aumento da pressão arterial. O preparo pode incluir o uso de medicamentos para diminuir frequência cardíaca ou o de um contraste colorido para destacar os vasos sanguíneos.

Ultrassom das carótidas

Este é um exame fácil e indolor para avaliar o interior das artérias carótidas, que transportam oxigênio ao cérebro. Em pessoas com colesterol alto ou pressão alta, é comum que essas artérias apresentem placas de gordura em suas paredes. Essas placas podem se acumular a ponto de interromper a passagem de sangue ou se romper, formando um coágulo que, se transportado ao cérebro, pode provocar um AVC (Acidente Vascular Cerebral). O exame é bastante simples e não exige preparo: a pessoa fica deitada enquanto o técnico passa o aparelho de ultrassom pelas laterais do pescoço, com o auxílio de um gel.

Proteína C reativa

A proteína C-reativa é encontrada no sangue quando existe alguma inflamação no corpo, o que pode contribuir para a elevação da pressão arterial, causando alterações nas células que revestem as paredes dos vasos sanguíneos. Um simples exame de sangue pode identificar quando há excesso dessa proteína no organismo e servir de alerta para que se busque a origem da inflamação.

Dosagem de lipoproteína (a)

A lipoproteína (a) é similar ao colesterol LDL, conhecido por ser o colesterol (bom ou ruim) e também pode causar o entupimento das artérias, quando encontrada em níveis maiores do que 30 mg/dl, sendo, portanto, um fator de risco importante para doenças cardiovasculares. Estima-se que cerca de 26% da população tenha níveis elevados de LP(a)³. Esse também é um exame simples, feito a partir da coleta de sangue.

MAPA

A monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) é um exame que mede a pressão a cada 20 minutos, durante 24 horas, e permite analisá-la não somente durante a vigília e o sono, mas também durante possíveis sintomas como tontura, dor no peito e desmaio. Para a realização desse exame, é colocadoum monitor leve e pequeno na cintura, conectado a um tubo fino de plástico a uma braçadeira. A cada 20 minutos o monitor insufla a braçadeira e registra a pressão. Após 24 horas, os dados coletados geram um gráfico das pressões registradas. É usual que se peça ao paciente que tome nota dos horários em que dormiu, acordou, almoçou, jantou, sentiu algum sintoma, fez atividades físicas ou teve algum acontecimento importante durante o dia.

Todos esses exames são indicados para quem já foi diagnosticado com hipertensão, para auxiliar o médico a tomar as melhores decisões relacionadas ao tratamento mais adequado. No entanto, é importante lembrar que mesmo pessoas saudáveis e que não tenham histórico de pressão alta devem medi-la pelo menos uma vez ao ano.

Referências

1. Scala LC, Magalhães LB, Machado A. Epidemiologia da hipertensão arterial sistêmica. In: Moreira SM, Paola AV; Sociedade Brasileira de Cardiologia. Livro Texto da Sociedade Brasileira de Cardiologia. 2ª. ed. São Pauilo: Manole; 2015. p. 780-5.

2. Sociedade Brasileira de Hipertensão

http://www.sbh.org.br/geral/releases.asp?id=464

3. US National Library of Medicine

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28229283