Livre-se dos distúrbios do sono e aprenda a dormir melhor
 
Livre-se dos distúrbios do sono e aprenda a dormir melhor

Livre-se dos distúrbios do sono e aprenda a dormir melhor

Por Catarina Arimateia
Aprenda a combater os distúrbios do sono para dormir bem

O brasileiro está dormindo mal. Perto de 40% da população sofre de distúrbios do sono1, segundo a Academia Brasileira de Neurologia (ABN. E um dos grandes desafios para essas pessoas é combater os efeitos nocivos das noites em que o organismo não descansa, e recuperar a capacidade de dormir melhor. Nada é impossível, se as medidas certas forem tomadas. Em primeiro lugar, é preciso conhecer as causas do problema.

Um dos motivos da privação ou da má qualidade do sono está relacionado ao ritmo do mundo moderno: hoje as pessoas dedicam menos horas para dormir, pois as tarefas se acumulam no dia a dia. Preocupações e pressões também afetam a qualidade do sono. Há mais cobranças sociais ou de trabalho, o que provoca ainda mais estresse. Até a balança influencia. Com o sobrepeso e a obesidade vêm a apneia e o ronco, tornando mais difícil conseguir uma noite tranquila.

Para entender o que ocorre quando não dormimos o suficiente ou dormimos mal, é preciso saber que o ato de dormir não é um comportamento passivo, pois conta com a atuação direta do sistema nervoso central. O sono mantém o equilíbrio geral do organismo, e recupera a energia que perdemos quando estamos acordados. Se não respeitamos seu ciclo, deixamos nosso cérebro em estado de alerta o tempo todo e isso tem um preço alto. O sono é básico e indispensável, como mostra a matéria 5 motivos pelos quais você precisa dormir.

Privação e distúrbios do sono

As consequências da privação do sono não são poucas. Sem o repouso noturno necessário, as pessoas tendem a ficar irritadas e impulsivas, com menor poder de concentração e problemas de memória. Isso pode ocorrer, por exemplo, com quem passa a madrugada estudando para uma prova ou para finalizar um trabalho, e depois descobre que o resultado não foi bom, apesar do esforço. Ficar sem dormir também pode levar a reações emocionais descontroladas, incapacidade de julgamento e acidentes. No Brasil, cerca de 50 mil pessoas morrem anualmente no trânsito devido ao sono na direção, contabiliza um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais, comentado em reportagem da Revista Sono, da Associação Brasileira do Sono2.

As consequências da privação temporária do sono podem ser eliminadas assim que se passa a dormir satisfatoriamente. Porém, os distúrbios do sono – apneia, bruxismo, insônia, ronco, entre outros – levam a problemas mais persistentes. A apneia, por exemplo, que é uma rápida parada respiratória, diminui a oxigenação do sangue. Após a apneia, vem um "microdespertar", que provoca uma descarga de hormônios no organismo, entre eles, a adrenalina. A pressão dentro dos pulmões aumenta, pois a oxigenação está diminuída. Essa pressão altera o ritmo cardíaco, podendo ocorrer acelerações, desacelerações ou pausas. Ou seja, um dos distúrbios mais comuns do sono pode levar a problemas cardiovasculares, hipertensão e até AVCs (Acidente Vascular Cerebral). Ou ainda agravar um quadro já existente.

Para dormir melhor

A boa notícia é que os distúrbios do sono costumam ter solução. O primeiro passo é reconhecer a importância de se dormir bem. Em casos mais acentuados, é possível fazer uma polissonografia, exame que, por meio de um aparelho e sensores ligados ao corpo, avalia a atividade cerebral e as alterações ocorridas no organismo durante o período de sono, apontando possíveis anormalidades.

Uma vez diagnosticado o distúrbio, parte-se para a solução. Se houver apneia causada por obstrução nasal, por exemplo, o problema pode ser corrigido por meio de cirurgia. Se a causa é a obesidade, a perda de peso pode eliminar o distúrbio. Porém, é sempre o especialista quem deve diagnosticar o problema e indicar o tratamento.

Medidas urgentes

Além de tratamentos médicos e cirúrgicos, há providências que podem ser tomadas para melhorar rapidamente a qualidade do sono, segundo o Instituto do Sono3, localizado em São Paulo e referência nacional sobre o tema. Anote algumas sugestões básicas:

  • Definir, na medida do possível, os horários de deitar e levantar.
  • Dormir o número de horas que o organismo necessita, o que é variável de pessoa para pessoa.
  • Não levar problemas para a cama. É preciso, sim, pensar sobre eles, mas no momento propício. A cama não é para isso.
  • Só ir para a cama quando realmente estiver com sono.
  • Abrir mão do aparelho de televisão no quarto.
  • Manter o ambiente de dormir o mais agradável possível para você.
  • Na hora de dormir, não levar celulares, notebooks e tablets para a cama.
  • Evitar café e cafeinados a partir do final da tarde.
  • Praticar atividade física. Quando se é ativo físico e mentalmente, a qualidade de sono tende a melhorar.

Portanto, recuperar o sono perdido – e sua boa qualidade – está nas mãos de cada um. Se os distúrbios podem ser analisados e resolvidos por especialistas da área, corrigir sua privação depende exclusivamente de uma mudança de comportamento. E se você ainda tem dúvidas sobre o seu ciclo de sono, saiba o quanto você realmente precisa dormir por dia. Bons sonhos!

Referências

  1. www.abneuro.org.br
  2. http://www.absono.com.br/absono/wp-content/uploads/2017/04/1490298612_Revistasonook.pdf
  3. www.sono.org.br