Corrida: quantidade x qualidade
 
como praticar corrida: equilíbrio entre quantidade e qualidade de exercícios

Corrida: quantidade x qualidade

By Catarina Arimateia

Como praticar corrida e conquistar o sonho de participar de uma maratona? Esportistas, amadores ou não, já sabem: antes de enfrentar os 42 km e 195 m, é comum sentir ansiedade, desejo de superação e vontade de dar o melhor em cada treino.

Porém, como acontece em toda atividade física, o bom resultado depende de preparação adequada, determinação e disciplina para seguir um programa de treinamento.

"Quando você treina para uma maratona, é preciso ter equilíbrio entre a qualidade e a quantidade dos exercícios", diz o educador físico Carlos Eduardo Mazzucco Fontes, mais conhecido como Dado, CEO da empresa de consultoria Labor Fit. "E cada pessoa tem um volume e uma intensidade adequados", afirma.

Num programa de treinamento para maratona, normalmente os exercícios seguem três variáveis: estímulo fraco, forte e muito forte. Existe também o estímulo débil, que não produz consequência, descartado por não acarretar benefícios nesse tipo de treino. "Hoje você treina fraco, amanhã forte, depois de amanhã você se recupera para treinar muito forte. A variação do volume e da intensidade dos exercícios está ligada ao estímulo que se precisa dar", explica.

Reconhecendo os próprios limites

É comum os corredores, principalmente amadores, treinarem mais do que deveriam. "Há pessoas que acham que fazer muito exercício vai gerar um bom resultado. Grande engano. A quantidade não está ligada à qualidade", afirma o especialista.

Dependendo do propósito (uma corrida de longa duração, por exemplo), o treinamento já é naturalmente longo e intenso, chegando a cinco ou seis vezes por semana, durante duas horas por dia.

Mas como descobrir os próprios limites? "Não querendo ser o Super-Homem ou a Mulher Maravilha. Você tem que respeitar o seu repouso. Todos nós precisamos de descanso para a recuperação", diz Dado.

Atenção aos sinais que a dor envia

Acima de tudo, é preciso esquecer a frase no pain no gain – literalmente "nenhuma dor, nenhum ganho", que ficou famosa nos anos 1980 entre os praticamente de fisiculturismo e se espalhou por outras modalidades esportivas, incluindo a malhação nas academias.

"O conceito de que, se não houver dor, não existirá ganho está ultrapassado. Quando você sente dor é porque fez algo acima do que deveria ter feito. Se houver dor aguda, é preciso diminuir a quantidade de exercícios, que é o volume, ou a sua intensidade, que é a sobrecarga", conta Dado.

Uma dor tardia, que geralmente aparece entre 24 e 48 horas após um treinamento intenso, pode acontecer e, na maioria das vezes, significa apenas que os músculos estão se adaptando aos exercícios. Mas também nesse momento é preciso atenção. Se a dor ocorrer no joelho, no tornozelo ou na coluna, é sinal de que os exercícios – e/ou sua intensidade – não são adequados. Hora de pegar mais leve no treino.

Treinamento exclusivo

O treinamento feito sob medida é uma das principais respostas para praticar uma atividade física, como a corrida, sem trazer danos para a saúde. Ou seja, nada de copiar o programa do amigo, mesmo que ele tenha tipo físico e idade semelhantes.

"Não existe um ser humano igual ao outro. Se todo mundo fosse igual, todos terminariam a maratona no mesmo tempo. As pessoas têm condições físicas, emocionais, psíquicas e sociais totalmente distintas", diz o professor. Portanto, os exercícios devem ser feitos de acordo com as características individuais. Dado também ressalta a importância de um nutricionista para orientar a alimentação do corredor.

Afinal, chegar ao programa de treino adequado depende de informações que são pessoais, como uma avaliação médica minuciosa da saúde cardíaca e respiratória, avaliação física para averiguar se não há alguma lesão já instalada, medição do nível de força, análise da massa muscular, medição de percentual de gordura e avaliação nutricional. Detalhes que não se repetem de uma pessoa para outra.

Sucesso na pista

E como descobrir que os exercícios estão sendo produtivos? Simples: é só medir os resultados obtidos ao longo do treinamento. "Se hoje você correu 20 km em duas horas e daqui a dois meses conseguir fazer o mesmo percurso em 1h40, é porque o treinamento está cumprindo o objetivo", diz o CEO da Labor Fit.

Quanto mais seguir à risca o treinamento, melhor o resultado. "A única coisa que não podemos fazer é perder para nós mesmos", diz Dado. Treinar com consciência e regularmente continua sendo o melhor caminho para conquistar a sonhada medalha ao final dos quase 43 quilômetros.