Tudo sobre diabetes e viagem: a doença não tira férias, mas não precisa atrapalhar as suas
 
Viagens exigem cuidados na alimentação para pessoas com diabetes, mas nada que atrapalhe o passeio

Tudo sobre diabetes e viagem: a doença não tira férias, mas não precisa atrapalhar as suas

Malas prontas, passaporte em dia, bilhete aéreo emitido, reservas feitas. Além desses detalhes básicos, as pessoas com diabetes precisam tomar alguns cuidados a mais ao programar uma viagem. Mas é possível desfrutar tranquilamente do passeio sabendo tudo sobre diabetes na estrada. Com as dicas da Associação Americana de Diabetes1, fica fácil checar todos os itens necessários antes de programar suas férias ou uma viagem de negócios.

Alimentação

Seja qual for a duração da viagem e o meio de transporte utilizado, a alimentação para pessoas com diabetes requer alguns cuidados. Por isso, recomenda-se levar sempre alguns petiscos fáceis de comer, como frutas, barras de cereais, passas, biscoitos ou glicose em gel para o caso de hipoglicemia. Deve-se priorizar alimentos que não precisem de refrigeração e que sejam fáceis de transportar.

Em viagens de avião, aconselha-se que o paciente somente aplique a insulina quando as refeições já estiverem sendo servidas. Fazer isso antes da hora pode aumentar o risco de hipoglicemia. Até dois dias antes do voo, é importante requisitar à companhia aérea o cardápio especial para pessoas com diabetes, pobre em gorduras, açúcar e colesterol.

Beber bastante água para manter a hidratação também é outro cuidado constante durante o trajeto.

Monitoramento

Hoje em dia, a tecnologia avançada em equipamentos e medicamentos que ajudam a monitorar a glicemia permite que pessoas com diabetes possam viajar bem mais despreocupadas. Portanto, é fundamental levar sempre o glicosímetro, com tiras reagentes, lancetas e baterias extras. Certifique-se de sair de casa com todos os itens necessários na bagagem.

Recomenda-se fazer um teste antes mesmo de sair de casa, principalmente se for viajar de carro e dirigindo. Nesse caso, é aconselhável fazer paradas e repetir o teste a cada três ou quatro horas ou sempre que houver suspeita de hipoglicemia. As paradas também são uma boa oportunidade para esticar as pernas e fazer um lanche.

Caso note algum sintoma de hipoglicemia enquanto dirige, encoste imediatamente o carro, faça o teste e coma algo para restabelecer os níveis de glicose no sangue. A viagem só deve ser retomada quando estiver sentindo-se melhor.

Medicação

Antes da viagem é fundamental pedir ao médico um relatório explicando que tem diabetes e que levará consigo medicamentos e insumos. Uma boa dica é ter cópias em português e em inglês, caso seja uma viagem internacional. O médico deve ainda destacar nessa declaração o Código Internacional de Doenças (CID) específico do diabetes. Trata-se de uma linguagem médica mundial sobre doenças e seus diagnósticos que não vai deixar dúvidas sobre sua condição em qualquer parte do mundo.

Peça também ao médico uma receita dos medicamentos e insumos, também em português e em inglês, e leve-a sempre consigo. Ela pode ser necessária para embarcar no avião, caso os fiscais de alfândega queiram saber que tipo de medicamento você carrega.

Medicamentos e insumos devem viajar sempre na bagagem de mão. Calcule quanta medicação precisará durante o tempo de viagem e, para evitar qualquer contratempo, leve sempre uma quantidade maior do que a necessária.

Utilize uma pulseira de identificação (em inglês e no idioma do local de destino), explicando que tem diabetes, com seu nome e um telefone para emergências, principalmente no caso de viajar sozinho.

Exercícios e mobilidade

Em viagens longas, evite ficar na mesma posição por longos períodos. Quem vai de ônibus ou avião deve tentar ocupar um assento no corredor, com mais espaço para esticar as pernas.

Sempre que possível, faça breves caminhadas dentro do avião ou nas paradas, em viagens de carro ou ônibus.

Os sapatos também devem ser escolhidos com cuidado. Lembre-se de que nos aviões, principalmente, os pés costumam inchar. Bolhas podem ocasionar infecções potencialmente perigosas para quem tem diabetes. É aconselhável, portanto, levar material para curativos e utilizá-lo assim que qualquer sinal de bolha aparecer.

Fuso horário

As diferenças de horário também podem ter impacto nas aplicações de insulina. Viagens para o leste significam um primeiro dia mais curto e isso pode fazer com que se aplique menos insulina. Se você viaja do Brasil para a Europa, por exemplo, você "perderá" algumas horas, uma vez que a Europa está a frente do Brasil no fuso horário. Já as viagens para o oeste significam um dia mais longo, que pode exigir mais insulina. Nesse caso, se você viaja do Brasil para a Califórnia, por exemplo, você ganhará algumas horas no seu dia e deverá calcular mais aplicações. É fundamental conversar com o médico sobre essas adequações e fazer um planejamento cuidadoso dos horários de medicação.

Ao chegar ao destino, deve-se procurar fazer refeições e aplicar injeções respeitando o horário local.

Seguro de saúde

Antes de viajar, é preciso verificar se seu plano de saúde é internacional e tem cobertura no local de destino. Caso contrário, será necessário contratar um seguro saúde específico para o período da viagem, o que pode ser feito por intermédio de uma agência de turismo.

Sabendo tudo sobre diabetes e viagens antes de embarcar, com certeza suas férias serão mais tranquilas.

Referências:

1. American Diabetes Association http://www.diabetes.org/living-with-diabetes/treatment-and-care/when-you-travel.html?referrer=https://www.google.com.br/