Doação de sangue: entenda os tipos e as indicações de cada uma
 
97,9% das doações de sangue realizadas em 2016 foram coletas de sangue total.

Doação de sangue: entenda os tipos e as indicações de cada uma

Doação de sangue total e doação de plaquetas são processos diferentes

Doar sangue é uma demonstração de solidariedade, motivada pela empatia e pelo desejo de fazer a diferença. Porém, poucos sabem que as 3,5 milhões de transfusões realizadas a cada ano 1 no Brasil destinam-se a diversas finalidades e também possuem diferentes formas de coleta. Conheça mais sobre a doação de sangue.

Das coletas realizadas em 2016 no país, 97,9% foram de sangue total 2, aquela que a maioria das pessoas conhece. Nesse caso, são retirados do doador em torno de 450 ml de sangue, durante cerca de 12 minutos. Esse sangue é submetido a um processo de centrifugação, que separa seus principais componentes: hemácias, plaquetas e plasma. Cada um deles é indicado para casos específicos. As hemácias são utilizadas no tratamento de anemias e hemorragias agudas, as plaquetas ajudam pacientes que correm risco de hemorragia e o plasma pode ser usado no tratamento de pessoas com queimaduras, pacientes em terapia intensiva ou que tenham doenças como cirrose hepática, Aids e hemofilia.

Plaquetas salvadoras

Nos casos em que a pessoa necessita especificamente de plaquetas, é possível também fazer o procedimento de aférese, no qual o sangue é coletado por meio da veia de um braço, passa por uma máquina que retém parte das plaquetas e é devolvido ao doador por meio da veia do outro braço.

As plaquetas fazem parte da composição do sangue e desempenham um importante papel na coagulação. Quando há uma queda no nível de plaquetas ou quando esse componente não funciona adequadamente, há risco de sangramentos incontroláveis, sendo necessária a transfusão. Situações assim são frequentes em casos de leucemia, dengue hemorrágica e em pessoas submetidas a cirurgias cardíacas.

A coleta por aférese dura de 90 a 120 minutos e dela se obtém aproximadamente 300 ml de sangue com uma concentração de plaquetas de 6 a 8 vezes maior do que em uma doação total. Além disso, esse método oferece menor chance de reação, já que o paciente consegue receber uma quantidade maior de plaquetas de um único doador.

Outra vantagem é que o doador pode ser submetido ao procedimento quatro vezes por mês, respeitando o limite de 24 doações ao ano. O doador de sangue total pode doar no máximo quatro vezes por ano, se for homem, e três vezes por ano, se for mulher. No entanto, no caso das plaquetas, a grande dificuldade em manter seus estoques abastecidos está na sua curta vida útil delas: em média, apenas 5 dias após a coleta.

Os pré-requisitos para ser um doador de plaquetas são muito semelhantes aos de uma doação de sangue total 3, exceto que o doador de plaquetas deve ter mais de 60 kg, apresentar uma quantidade plaquetária acima de 150.000/mm3 e não ter utilizado anti-inflamatórios pelo menos cinco dias antes do procedimento.

Doação para si próprio

Há também uma terceira possibilidade, quando o paciente opta por doar sangue para si mesmo antecipadamente, em caso de cirurgia programada. É a chamada doação autóloga. Para isso, é preciso ter uma solicitação por escrito do cirurgião, definindo qual a quantidade de sangue necessária, o tipo e a data do procedimento cirúrgico.

Seja qual for a forma utilizada para doar, é sempre bom ter em mente que, independentemente da motivação, trata-se de um ato amoroso, capaz de salvar vidas. Por isso, se possível, inclua pelo menos uma doação de sangue na sua agenda anual. O bem comum agradece.

Sangue bom

De acordo com dados da Agência Nacional de Viligância Sanitária (Anvisa), em 2016, 62,41% das doações realizadas no Brasil foram espontâneas, ou seja, realizadas por altruísmo. Mas, infelizmente, uma parcela importante das pessoas ainda procura os bancos de sangue apenas quando algum familiar ou amigo precisa de transfusão. Em 2016, 38,3% das doações foram feitas nessa situação, apenas para reposição do estoque.

No Brasil, a doação de sangue é voluntária (sem pagamento atrelado) e aproximadamente 1,8% da população é doadora 4. Esse número está dentro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde para países em desenvolvimento, estimado entre 1 e 3% da população 5. No entanto é bom lembrar que o sangue é insubstituível, portanto é fundamental sempre tentar aumentar a base de doadores.

Referências:

1. Governo do Brasil http://www.brasil.gov.br/saude/2017/06/apenas-1-8-dos-brasileiros-sao-doadores-de-sangue

2. ANVISA - 4º Boletim de produção hemoterápica Hemoprod 2016 http://portal.anvisa.gov.br/documents/33840/2817173/5%C2%BA+Boletim+de+Produ%C3%A7%C3%A3o+Hemoter%C3%A1pica/d3f3788d-a907-4180-a642-4e2e22ed53ce

3. Blog Saúde (Ministério da Saúde) http://www.blog.saude.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=52695&catid=566&Itemid=50155

4. Agência Brasil http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-06/doacao-de-sangue-18-da-populacao-brasileira-doa-sangue-meta-da-oms-e-3

5. World Health Organization http://www.who.int/bloodsafety/global_database/GDBSFactSheet%20.pdf