Mesmo sem cardiopatia congênita, os cuidados com o coração começam na infância
 
Alimentação saudável e atividade física diária são indispensáveis para evitar doenças cardíacas

Mesmo sem cardiopatia congênita, os cuidados com o coração começam na infância

Alimentação saudável e atividade física diária são indispensáveis para evitar doenças cardíacas

No Brasil, a cada 40 segundos morre uma pessoa vítima de doenças cardiovascilares1. Esse é um número possível de ser revertido, se o coração tiver os cuidados que merece desde a infância, seja em relação às crianças com cardiopatia congênita ou não. Os sintomas de infarto em jovens são semelhantes aos observados em adultos e por isso as doenças cardíacas devem ser monitoradas pelos pais e responsáveis desde os primeiros anos de vida.

De acordo com cartilha elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)2, os maus hábitos alimentares e o sedentarismo são os responsáveis por expor os pequenos a fatores de risco. Mesmo aqueles que não têm cardiopatia congênita (ou seja, não nasceram com algum problema cardíaco) podem desenvolver doença cardiovascular por causa de um estilo de vida inadequado. Segundo a SBC, no país, por volta de 6% da população menor de 18 anos têm pressão alta, fator diretamente ligado a problemas cardíacos.

Mas o que os pais devem fazer? A Associação Americana do Coração faz importantes recomendações para se viver melhor e evitar as doenças cardíacas: não fumar, praticar atividades físicas todos os dias, adotar uma dieta saudável e manter sob controle o peso, a pressão arterial e as taxas de colesterol e de açúcar no sangue.

Para as crianças, vale exatamente o mesmo, com pequenas ressalvas. Criança não fuma, mas muitos adultos, sim. Portanto, deve-se evitar fumar perto delas, pois fumantes passivos também sofrem com as substâncias tóxicas contidas na fumaça dos cigarros, prejudiciais ao coração e aos pulmões. No Brasil, segundo dados divulgados na Cartilha Informativa Criança da SBC, cerca de 40% das vítimas de fumo passivo são crianças de até 5 anos. E as consequências podem aparecer a curto ou longo prazo, incluindo doenças cardíacas, dores no peito, aumento da pressão arterial e até infarto.

ATIVIDADE FÍSICA SEMPRE
Numa era digital e conectada, em que as redes sociais muitas vezes substituem o encontro entre amigos, outro perigo que ronda o coração infantil e adolescente, mesmo de quem não nasceu com cardiopatia congênita, é o sedentarismo. Nesse caso, cabe aos pais estimular as atividades físicas externas. Há várias maneiras simples de fazer o corpo se movimentar, como recomendam os especialistas em saúde do coração. Entre elas:

  • caminhar rapidamente, dançar ou andar de bicicleta.
  • brincar em ambientes externos (parques, jardins, quintais).
  • passear com o cachorro perto de casa, depois das refeições.
  • trocar o elevador pela escada vez ou outra.
  • praticar esportes, como futebol, vôlei, basquete, natação

Os jovens que praticam esportes devem ter um cuidado especial: fazer exames cardiológicos anuais e sempre com orientação médica. Os "atletas" de fins de semana também devem se preocupar com a saúde do coração, já que podem sobrecarregar o órgão sem perceber. Os sintomas de infarto em jovens, principalmente em sua fase inicial, podem passar despercebidos, mas geralmente incluem dor no peito, enjoo, suor excessivo, tonturas, palpitações e desmaio, exatamente como acontece com os adultos. Por isso é sempre importante ter acompanhamento médico antes de praticar qualquer atividade física.

ALIMENTAÇÃO ADEQUADA
Mesmo que a criança não seja exposta à fumaça frequente do cigarro e tenha uma atividade física regular, é indispensável contar com uma alimentação adequada e saudável. A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que as crianças se alimentem de cinco a seis vezes por dia, já que é melhor comer pequenas porções de cada vez do que grandes porções poucas vezes. Vale lembrar que os bons hábitos alimentares são imprescindíveis para manter o coração trabalhando em dia.

Frutas frescas, legumes e verduras são indispensáveis para a saúde do coração. De acordo com a Academia Americana do Coração, um bom plano de alimentação inclui de quatro a cinco porções de frutas por dia, peixe pelo menos duas vezes por semana (de preferência, grelhado ou cozido, e não frito), duas porções ou menos de carne vermelha por semana (pode ser substituída por frango) e legumes e verduras com frequência. Grãos e alimentos integrais são sempre bem-vindos, já que as fibras auxiliam no processo de digestão. Em relação aos peixes, o salmão, a sardinha, o atum e a anchova são sempre uma boa pedida, pois contêm ômega 3, gordura importante para o bom funcionamento do organismo, inclusive do coração.

Já o sal e alimentos que contêm sódio e bicarbonato de sódio devem ser consumidos com muita moderação, assim como frituras, alimentos muito gordurosos e salgadinhos de pacote. O sal em excesso está ligado ao aumento da pressão arterial, elevando o risco de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). A gordura pode contribuir para o acúmulo de placas nas artérias, causando seu entupimento.

O açúcar industrializado ou refinado também pode se tornar um vilão. Além de ter pouco valor nutricional, o açúcar contido em doces, bolos, biscoitos recheados e refrigerantes reflete diretamente na balança. Segundo dados da entidade americana, as crianças obesas têm oito vezes mais chances de desenvolver hipertensão, altas taxas de colesterol e diabetes.

Portanto, a saúde do coração dos filhos está na mão de seus pais ou responsáveis. Não fume perto de seus filhos (melhor não fumar nunca), recheie a geladeira com alimentos saudáveis e coloque a garotada para praticar atividade física. O coração agradece!

Referências
(1) http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-09/cada-40-segundos-uma-pessoa-morre-vitima-de-doenca-cardiovascular-no-brasil
(2) http://prevencao.cardiol.br/campanhas/pdf/gibi_colesterol2013.pdf