Gripe e diabetes: o que você precisa saber
 
Quem convive com o diabetes deve ter um plano especial para enfrentar essa doença infecciosa.

Gripe e diabetes: o que você precisa saber

By Maryssa Caetano

Quando o clima esfria, o vírus da gripe começa a causar problemas. E quando gripe e diabetes andam juntas, isso pode ser bem mais que um aborrecimento passageiro. A infecção pode causar sérias complicações e atrapalhar o controle de glicemia. Por isso, ter um plano de cuidados com o diabetes é essencial para combater o vírus com sucesso.

Quando você adoece, seu corpo naturalmente produz glicose adicional, fornecendo energia para combater a infecção. A gripe também pode fazer com que o corpo libere os hormônios do estresse (adrenalina e cortisol), que reduzem a eficácia da insulina, responsável por baixar os níveis da glicose. Combinados, esses dois efeitos podem resultar em um aumento da glicose, dificultando sua redução para os níveis considerados normais1.

Com a insulina baixa, seu corpo não consegue utilizar a glicose presente no sangue de forma eficaz. Por isso, ele acaba utilizando cetona para obter energia. A combinação de cetona e altos níveis de glicose podem fazer com que seu corpo fique demasiadamente ácido. Isso é chamado de cetoacidose diabética2, uma emergência que requer atenção médica imediata.

A combinação de gripe e diabetes pode ainda desencadear a síndrome não-cetótica hiperglicêmica hiperosmolar (HHNS)3, , quando os níveis de glicose ficam tão altos que seu corpo desidrata-se na tentativa de compensar essa condição. Trata-se também de uma emergência com risco de vida.

Essas condições são preocupantes, mas você pode evitá-las com um plano de controle de diabetes rigoroso e sempre seguindo as orientações do seu médico.

Prevenindo a gripe

O Ministério da Saúde4 recomenda que as pessoas com diabetes tomem a vacina todos os anos. É uma forma mais segura e simples de reduzir o risco de contrair gripe (pessoas com alergia a ovos devem consultar o médico a respeito).

Para pessoas com diabetes, o Ministério da Saúde também recomenda a imunização contra doença pneumocócica, já que o risco da gripe evoluir para pneumonia é maior. Converse com seu médico para checar se este tipo de imunização é recomendada para você.

Caso você adoeça

É possível que, mesmo tomando todas as precauções cabíveis, você adoeça, pois o vírus da gripe é especialmente contagioso e sofre constante mutação.

Verifique seus níveis de glicose com mais frequência e acompanhe os números. A Associação Americana de Diabetes sugere a verificação a cada quatro horas se você tiver diabetes tipo 1 e pelo menos quatro vezes por dia se tiver o tipo 2. Tenha em mente que todas as ações programadas em caso de doença devem ser feitas com acompanhamento médico.

Seu plano de tratamento pode incluir recomendações sobre quais medicamentos você pode continuar tomando, qual dose e quanto de carboidrato consumir durante o dia. Ele também deve incluir estratégias para aumentar o consumo de líquidos a fim de prevenir a desidratação e expelir o excesso de glicose e cetonas, se necessário.

Além disso, não se esqueça de que muitos medicamentos para gripes e resfriados vendidos sem receita contêm açúcar, portanto é importante verificar a composição ou pedir opções sem açúcar ao farmacêutico.

Quanto mais cedo a gripe for diagnosticada, mais rapidamente os médicos poderão administrar medicamentos antivirais. Esses medicamentos funcionam melhor se tomados nas primeiras 48 horas da gripe. Além disso, eles podem reduzir as chances de complicações relacionadas à gripe, o que é especialmente importante para quem convive com o diabetes.

A Associação Americana de Diabetes5 lista alguns sintomas indicativos de que é o momento de buscar atendimento médico para evitar complicações graves. São eles:

• Vômito ou diarreia por mais de seis horas.

• Febre ou mal-estar por mais de dois dias sem apresentar melhora.

• Níveis de glicose superiores a 240 mg/dl, mesmo tendo seguido o plano de cuidados com o diabetes para quando ficar doente.

• Cetona na urina em quantidade de moderada a alta.

• Sintomas de cetoacidose, como um hálito adocicado, dificuldade em respirar, boca e pele secas, micção frequente e confusão mental.

• Sintomas de desidratação.

Referências

1. Mayo Clinic https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/diabetic-ketoacidosis/symptoms-causes/syc-20371551

2. Sociedade Brasileira de Diabetes http://www.diabetes.org.br/publico/ultimas/774-cetoacidose-diabetica-e-uma-grave-emergencia-medica

3. Liga Interdisciplinar de Diabetes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul https://www.ufrgs.br/lidia-diabetes/2017/09/18/hiperglicemia/

4. Ministério da Saúde http://www.blog.saude.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=50930&catid=566&Itemid=50155

5. American Diabetes Association http://www.diabetes.org/living-with-diabetes/treatment-and-care/medication/tips-for-emergency-preparedness.html