Saiba como reduzir o colesterol, o inimigo silencioso
 
A alimentação tem papel fundamental no combate às altas taxas de colesterol

Saiba como reduzir o colesterol, o inimigo silencioso

By Catarina Arimateia

Saber como reduzir o colesterol ruim (LDL) ou controlá-lo faz parte dos dias de quem se preocupa com a saúde e tem – ou não quer ter – esse índice acima do recomendado. Inimigo silencioso, ele ataca sem dar sinais evidentes, podendo provocar desde doenças cardiovasculares até problemas digestivos, doenças renais crônicas, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e tromboses, entre tantas outras consequências graves. Mesmo assim, o popular "colesterol alto" atinge 18,4 milhões de brasileiros com mais de 18 anos, cerca de 12,5% da população adulta, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde1, realizada pelo Ministério da Saúde entre agosto de 2013 e fevereiro de 2014, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Tão "democrático" quanto a pressão alta, o colesterol não faz distinção entre suas vítimas, apesar de atingir principalmente a população acima de 60 anos. No Brasil, 25,9% de pessoas nessa faixa etária apresentam altas taxas de colesterol, de acordo com a mesma pesquisa, que até agora a mais ampla realizada sobre o tema. Por esse motivo, divulgar informações sobre como reduzir o colesterol tornou-se hoje uma das principais preocupações da área médica.

De mocinho a vilão

Mas o que é o colesterol? Produzido em boa parte no fígado e o restante obtido via alimentação, é uma substância gordurosa (lipídio) presente em nosso organismo. É imprescindível para a saúde das células, para a produção de hormônios (entre eles, os sexuais, como a testosterona e o estrogênio), para a sintetização da vitamina D e dos ácidos biliares, que se encontram no fígado e atuam sobre as gorduras.

Como o colesterol, por ser gordura, não se dissolve no sangue, é necessário um meio de transporte para levá-lo às diversas partes do organismo, e aí entram as lipoproteínas, com a função de distribuí-lo para todas as células. As principais são a HDL (lipoproteína de alta densidade) e LDL (lipoproteína de baixa densidade). Por depositar o excesso de colesterol na parede das artérias, a LDL ficou conhecida como o "colesterol ruim", visto que sua ação pode levar à formação de placas gordurosas que estreitam os vasos e podem prejudicar a circulação do sangue1. As lipoproteínas HDL, por sua vez, são consideradas como o "bom colesterol", pois ajudam a retirar as placas de gordura das artérias levando-as de volta para o fígado para serem excretadas.

Quando não há esse equilíbrio, as placas de colesterol depositadas nas artérias coronárias dificultam a circulação, fazendo com que o sangue tenha mais dificuldade para chegar ao coração. O órgão pode sofrer com a falta de oxigenação quando a gordura entope parcial ou totalmente as artérias, o que leva a crises de angina ou até mesmo ao infarto, quando o caminho do sangue para o coração é completamente bloqueado.

O cérebro também pode sofrer com os descompassos de uma taxa alta de colesterol. Se bloqueado, o sangue pode não ser levado ao cérebro em quantidade suficiente, o que pode provocar um acidente vascular cerebral (AVC). Em relação aos membros inferiores e superiores, ocorre a mesma situação: a obstrução ou afunilamento dos vasos sanguíneos que levam o sangue para os braços e pernas pode acarretar uma doença arterial obstrutiva crônica (DAOP) que apresenta uma prevalência de 10 a 25% na população em geral acima de 55 anos², segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular/Regional São Paulo2. Cerca de 70 a 80% dos pacientes são assintomáticos, mas os riscos são altos: se houver um bloqueio total das veias, a consequência será uma gangrena, que é a morte de um tecido causada pela falta de circulação sanguínea.

Guerra contra o inimigo

Nem sempre a alimentação é vilã exclusiva quando se fala em como reduzir colesterol. Há três fatores que devem ser levados em conta: genética, alimentação e presença de doenças como hipotireoidismo, diabetes e doenças renais. Entretante, além do controle das doenças já existentes, a melhor maneira de reduzir o risco de uma alta taxa de colesterol é controlar a alimentação, riscando do cardápio alimentos processados, industrializados e ricos em gorduras.

Carnes magras, leite e laticínios desnatados são bem-vindos, assim como peixes assados ou grelhados, iogurte desnatado, castanhas, azeite de oliva (que contém as boas gorduras). Semente de girassol, frutas cítricas, frutas vermelhas, aveia, soja e grãos integrais também são alimentos que devem fazer parte de uma dieta balanceada.

A realização de exames clínicos também é recomendada, ou seja, dosar o colesterol a cada 5 anos, a partir dos 20 anos. Abolir o sedentarismo e praticar exercícios físicos, perder peso, parar de fumar (o cigarro reduz a espessura dos vasos sanguíneos, facilitando o acúmulo de gordura) e evitar álcool são outros fatores indispensáveis para a manutenção de um bom índice de colesterol total, aqueles considerados abaixo de 190 mg/dl, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, que no ano passado revisou as taxas de referência para níveis mais seguros3.

Os fitoesteroides, encontrados em óleos vegetais, também podem ser bons auxiliares, visto que ajudam a diminuir o colesterol ruim. Suas principais fontes são sementes de gergelim e de girassol, soja, nozes, amêndoas e abacate. Porém, acima de tudo, pessoas com alta taxa de colesterol devem ter acompanhamento médico contínuo. É o profissional quem deverá determinar a dieta mais adequada e o tratamento necessário para cada caso.

Referências:

  1. Pesquisa Nacional de Saúde https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv91110.pdf
  2. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular/Regional São Paulo https://sbacvsp.com.br/doenca-arterial-obstrutiva-periferica/
  3. G1 https://g1.globo.com/bemestar/noticia/cardiologistas-estabelecem-taxas-mais-rigidas-de-controle-do-colesterol-ruim.ghtm