Solidão e doenças cardíacas estão conectadas?
 
Duas amigas se encontrando na rua.

Solidão e doenças cardíacas estão conectadas?

Viver junto aos seus amigos e familiares aumenta a probabilidade de que a vida seja mais saudável e longa.

É normal sentir um pouco de solidão às vezes. Quem nunca passou por isso? Mas saiba que, de forma intensa ou constante, esse sentimento pode ser um dos fatores de risco para doenças cardíacas. Pesquisas mostram que viver uma vida plena junto a seus semelhantes aumenta a probabilidade de que ela seja saudável e longa. Também indicam que pessoas extrovertidas têm o sistema imunológico mais resistente e mais bem preparado para combater infecções.

Quando se está sozinho durante uma tarde de domingo, depois de uma semana agitada, é uma delícia mergulhar em um bom livro ou passar horas vendo séries na televisão, aproveitando a tranquilidade do momento. Mas existe uma grande diferença entre estar sozinho e sentir-se solitário ou isolado, especialmente no que diz respeito à saúde e à longevidade, de acordo com um estudo1 feito na Universidade de York, na Inglaterra, publicado em 2016.

Pessoas que passam mais tempo sozinhas e sentem-se solitárias com frequência têm maior risco de doenças cardíacas e derrames, segundo a pesquisa, que analisou 181 mil adultos. Descobriu-se que aqueles que se sentem solitários com frequência ou estão isolados têm risco 29% maior de ataque cardíaco e 32% maior de derrame. O efeito da solidão na saúde do coração tem efeito similar a outros fatores estressantes, como ansiedade e pressões no trabalho.

Outro estudo, divulgado em 2015 pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos2, aponta que o estresse causado pelos sentimentos de solidão e isolamento pode afetar a produção de células brancas. Isso acarreta o aumento de inflamações no corpo e diminui a resposta antiviral. Ou seja, a solidão baixa nossa imunidade, concluiu a pesquisa, que envolveu oncologistas, hematologistas, psiquiatras, psicólogos e neurocientistas.

Laços de amizade

Lutar contra o sentimento de solidão não significa rodear-se de estranhos. O segredo para sentir-se melhor é fortalecer sua rede social com bons amigos, vizinhos e familiares. Isso significa preservar relacionamentos existentes ou restabelecer laços com pessoas queridas com quem você não tenha contato há muito tempo. Fazer novos amigos é outra forma de melhorar a saúde e reduzir os fatores de risco de doenças cardíacas.

Um estudo publicado pelo Departamento de Psicologia de Aconselhamento da Universidade Brigham Young, em Utah, nos Estados Unidos3, indica que pessoas com relacionamentos sociais sólidos têm 50% mais probabilidade de viver por mais tempo do que aqueles com laços sociais fracos. A solidão, porém, é realidade nos grandes centros urbanos, especialmente quando se atinge uma idade mais avançada. Um artigo do jornal americano New York Times4 contabiliza, tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido, uma em cada três pessoas com mais de 65 anos morando sozinha.

Idosos podem sentir-se isolados quando vivem sós, enfrentam doenças crônicas ou lidam com a perda de amigos e com a incapacidade de participar de atividades independentes. Por isso é importante ter atenção especial com seu grupo de amigos ou parentes mais velhos, para ajudá-los a melhorar suas conexões pessoais.

Passe mais tempo com eles durante visitas, leve-os a um restaurante ou convide-os para sair. Se estiverem lidando com problemas de saúde, incentive-os a participar de grupos de apoio que ofereçam interação presencial, além de atividades sociais que movimentam o corpo, como a dança. Programe atividades regulares, compras, passeios ou encontros para tomar um cafezinho.

Caso você não more nas redondezas, verifique se há recursos locais disponíveis para um entretenimento frequente. Encoraje-os a se reconectar com amigos próximos por telefone ou pela internet. Se a pessoa não tem familiaridade com tecnologia, ensine-a como navegar online. Um computador com webcam pode ser uma ótima forma de convidá-la virtualmente para sua sala. Mas lembre-se de que a presença real é sempre a mais importante. Voluntariar-se em um asilo ou uma organização que faz visitas a idosos é outra forma de oferecer contato e amizade.


Referências

1. BMJ Journals http://heart.bmj.com/content/early/2016/03/15/heartjnl-2015-308790

2. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America http://www.pnas.org/content/112/49/15142.full.pdf

3. PLOS Medicine http://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1000316#top

4. New York Times https://www.nytimes.com/2016/09/06/health/lonliness-aging-health-effects.html?_r=0