Uma das principais maratonas do mundo inspirou uma música criada a partir dos sons do evento
 
Passos, gritos da torcida e tambores fazem parte da música criada a partir dos sons da maratona

Uma das principais maratonas do mundo inspirou uma música criada a partir dos sons do evento

Música e atividade física sempre foram uma ótima combinação. Mas já pensou em uma música criada a partir dos sons de uma das principais maratonas do mundo? Pois foi exatamente o que o casal Iris Fuzaro e Lucas Mayer fizeram. Eles são os autores do projeto Le Tour du Monde e viajam o mundo captando sons das ruas para compor músicas que transmitem as sensações de cada lugar. Para criar mais uma de suas composições, o casal acompanhou a 40ª Maratona de Chicago, realizada em 2017, e conta como foi a experiência.

No que vocês trabalhavam antes do projeto e como tiveram a ideia de criar o Le Tour du Monde, em 2015?

Iris: O Lucas é produtor musical, toca uma produtora de áudio e um selo musical. Eu já trabalhei com planejamento criativo em plataformas de música e como produtora executiva de vídeos. O Le Tour Du Monde surgiu após o Lucas fazer uma viagem para o Havaí, onde ele compôs uma música para mim com um ukulele havaiano de 8 cordas comprado numa feira local. A música foi gravada na beira da praia e era possível ouvir o barulho do mar e dos pássaros ao redor. Voltando ao Brasil, ele quis regravar a música tirando o som ambiente, mas era justamente aquilo que caracterizava a música. Na época, também estávamos com muita vontade de passar um tempo fora do Brasil e, numa conversa, tivemos um insight: e se, em vez de viajar para um lugar só, nós rodássemos o mundo compondo músicas nas ruas de cada cidade que visitássemos, trazendo o ambiente para o som?

Quantos e quais lugares vocês já visitaram?

Iris: Já visitamos mais de 15 países, sendo que em alguns lugares fomos a diversas cidades. Já passamos por Amsterdam, na Holanda; Berlim, na Alemanha; Budapeste, na Hungria; Atenas, na Grécia; Istambul, na Turquia; Bangkok e Koh Phi Phi, na Tailândia; Bali, na Indonésia; Tóquio, no Japão; Santiago, no Chile, Nova York, Austin e agora Chicago, nos Estados Unidos. Também acabamos de voltar de uma viagem de 4 meses por Irlanda, Escócia, Islândia, Austrália, Coreia do Sul. E logo compartilharemos os vídeos e músicas no nosso canal do Youtube.

Como vocês escolhem os destinos?

Iris: Quando o projeto começou, tínhamos alguns critérios principais: selecionávamos lugares que gostaríamos muito de visitar e depois víamos quais deles tinham uma cena cultural e musical interessante. Finalizávamos a seleção com lugares que nunca tínhamos visitado antes, para que toda a experiência e a inspiração fossem genuínas. Como o projeto foi se prolongando, acabamos mudando os critérios. Às vezes escolhemos um destino por sua cena musical forte, outro porque sabemos que tem muitos músicos de rua, alguns por curiosidade pelos instrumentos locais, e às vezes escolhemos um lugar pois achamos inspiradoras suas paisagens, a cultura ou até mesmo a história, independentemente da música.

De onde vocês tiram a inspiração?

Iris: Basicamente de tudo que faz parte do nosso dia a dia de viagem. Algumas vezes é de algo que vivemos ou vimos, mas já fizemos músicas baseadas numa história local ou até mesmo em alguma frase que alguém nos falou. Quando estamos viajando, nossos radares estão sempre em alerta. Pequenas coisas, que passam despercebidas no dia a dia de quem faz parte daquele ambiente ou daquela situação, acabam virando uma fonte de inspiração para nós.

Como foi a experiência de captar sons de uma das principais maratonas do mundo, a Maratona de Chicago?

Lucas: Intensa e inspiradora. Eram muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo e uma avalanche de sentimentos. Pessoas torcendo para desconhecidos, crianças torcendo para suas mães e pais corredores, cada corredor com sua história, seus desafios, suas superações. Tudo isso acontecendo num cenário de tirar o fôlego, que é a cidade de Chicago.

A maratona foi de alguma forma diferente de outros lugares onde vocês captaram sons?

Lucas: Sim, assim como os atletas, nós estávamos numa corrida para fazer o nosso melhor tempo. Tínhamos um tempo bem limitado para captar todos os sons, que era o tempo da maratona. Ou seja, corremos quase o percurso atrás dos diversos sons que estavam acontecendo: largada, passos, torcida, sinos, tambores, gritos de apoio. Andamos 20 km! Outra coisa diferente é que normalmente compomos a música e depois saímos em busca de instrumentistas e de sons para fazer parte da gravação. Dessa vez fizemos o contrário: primeiro captamos os sons, nos inspiramos na experiência da maratona, para depois compormos uma música com o que tínhamos coletado.

Vocês acreditam que a música de alguma forma estimula as pessoas a serem mais ativas? Por quê?

Iris: Sim, claro! Bom, eu não sou maratonista, mas adoro correr e praticar atividades físicas e não existe a possibilidade de fazer qualquer coisa sem ouvir música. A batida da música influencia muito no ritmo do exercício e sinto que ela consegue melhorar meu desempenho quando estou desanimada ou cansada. É como se eu pudesse sentir a música da mesma forma que sinto minha respiração ou o movimento das minhas pernas. Falamos disso na letra da música composta na Maratona de Chicago, sobre essa sensação interna de ser motivado por gritos, vozes, baterias, e como isso nos faz sentir vivos.

Vocês se preparam fisicamente de alguma forma para esse projeto, já que ele envolve viajar por longos períodos e para vários destinos?

Iris: O principal é colocar na cabeça que a gente não está viajando de férias e, por isso, devemos manter nossos hábitos. Tentamos manter uma alimentação saudável mesmo com as diferenças de cada país, manter o sono mesmo com o fuso horário mudando a cada quinze dias, manter uma rotina de exercícios. Também fazemos aquele check up antes da partida, para ver se está tudo bem com nossa saúde. Afinal, a rotina é intensa durante a viagem. Chegamos a andar 15 km por dia, carregando mochila com equipamento. A minha mochila com câmeras pesa quase 10 quilos!