Você não precisa largar seu trabalho para viver plenamente
 
Você não precisa largar seu trabalho para viver plenamente

Você não precisa largar seu trabalho para viver plenamente

Dica: tem mais a ver com o modo como você pensa do que com o que você faz
Trata-se da chamada “Síndrome de Dilbert." A sensação de que você não está conseguindo obter o suficiente em seu trabalho. Se você já passou por isso, saiba que não está sozinho.

Na realidade, daqueles que até o momento responderam à pesquisa global VIDA. AO MÁXIMO. , lançada em 28 setembro, sobre como viver da melhor forma possível, cerca de 12% das pessoas de todo o mundo afirmaram que “Trabalho” é a primeira barreira que as impede de viver plenamente. Somente os itens “Tempo” (18%) e “Dinheiro” (16%) superaram “Trabalho” na lista dos fatores que limitam a realização pessoal.

Talvez, essa noção venha da cultura pop ou da mídia, mas, em muitos casos, existe uma crença não mencionada de que para “ter tudo” é preciso seguir uma carreira não tradicional. A questão é que nem todos nós nos encaixamos nesse contexto. Nem todos nós somos empreendedores ou artistas ou estamos a ponto de abandonar nossos empregos, vender tudo o que temos e sair viajando pelo mundo.

Então, como as pessoas encontram a realização pessoal na tão falada “carreira” tradicional?

Ruth Sucato, psicoterapeuta em San Diego, Estados Unidos, acredita que não se trata necessariamente do trabalho que você faz, e sim do motivo que o leva até ele.

“A verdadeira resposta é desenvolver seu eu interior que torna seu eu exterior mais eficiente em qualquer experiência que você tenha na vida,” diz ela.

Anna Dizon, auditora de um importante escritório de contabilidade, descobriu a paixão em seu trabalho encontrando o ponto onde seus objetivos pessoais e os da empresa se cruzaram. Ela diz que o trabalho lhe traz satisfação tanto com relação à sua curiosidade nata quanto à sua paixão por solucionar problemas.

“O que gosto em meu trabalho é que eu consigo ter contato com muitos clientes diferentes de várias cidades,” afirma Dizon. “Para mim, é uma realização quando consigo ajudar um cliente a identificar os problemas e recomendar soluções.”

Dizon também faz questão de aproveitar as oportunidades que a empresa lhe oferece, como por exemplo, a de mudar-se dos Estados Unidos para a Nova Zelândia, onde reside atualmente.

Isso nos leva a outros itens apontados por Ruth Sucato: você pode gostar de seu trabalho pelo conforto e pela estabilidade que ele proporciona para alcançar outras coisas que lhe dão prazer – tais como pintar, caminhar, estudar culinária, talvez até escrever um clássico da literatura, tal como fizeram T.S. Eliot (que trabalha comobancário) ou Franz Kafka (um agente de seguros).

Na realidade, diz ela, a cultura do escritório propriamente dita oferece a oportunidade de realização – particularmente a proveniente das relações sociais. “As pessoas nos escritórios se reúnem, elas formam times de softball, fazem amizades,” diz Sucato. “E a conexão com as pessoas é uma das chaves para uma vida plena.”

E mais: trabalhar em em casa nem sempre é tão ideal quanto se imagina.

“Durante toda a minha vida, meu sonho era não entrar no escritório,” afirma a autora e editora June Casagrande.

Ela trabalhava como repórter para um jornal, onde o salário era baixo e o deslocamento longo, quando ela decidiu trabalhar por conta própria.

Ela procurou alguns clientes para trabalhar como freelancer. Escreveu, editou em casa e também publicou seu primeiro best-seller Grammar Snobs Are Great Big Meanies.

Um sonho que se tornou realidade, não é mesmo? Não necessariamente.

Apesar do sucesso, ela perdeu a vida social e a disciplina que o antigo trabalho oferecia. “Houve vezes,” diz Casagrande, “em que poder lavar a cabeça foi minha maior conquista do dia.”

Então, depois de três anos trabalhando de forma independente, ela voltou a trabalhar em um escritório, com um emprego de meio período na edição de textos no jornal Los Angeles Times. “Quando se trabalha em uma profissão que você escolheu e está com as pessoas de quem você gosta, é realmente muito bom.”

Nos outros dois dias, ela ainda trabalha em casa e isso está resultando em uma sequência de livros de sucesso, incluindo It Was the Best of Sentences, It Was the Worst of Sentences e The Best Punctuation Book, Period.

Verônica Merenge, de São Paulo, passou pelo problema oposto. Ela estava pronta para deixar o trabalho na área de publicidade quando teve um momento de inspiração.

“Eu estava extremamente infeliz,” conta Merenge, que mora no Brasil. “E parte dessa tristeza vinha do fato de saber que eu era capaz de fazer melhor. Eu precisava aprender a crescer, mas não conseguia encontrar algo que me motivasse.”

Merenge tinha um sonho antigo de estudar cinema, mas a parte financeira era um obstáculo. Ela então se inscreveu em um curso de roteirista e redescobriu seu amor por narração de histórias – e publicidade.

“Este trabalho é exatamente isso,” diz ela. “É narrar uma história.”

Aprender a enxergar o antigo trabalho sob uma nova perspectiva ajudou Merenge a encontrar sua realização pessoal. Apesar de ter continuado e obtido um diploma em cinema, Merenge decidiu permanecer na área de publicidade e afirma que nunca esteve tão feliz.

“Uma vez que aprendi sobre narrativa, forma e estrutura,” ela diz, “fui capaz de aplicar esse conhecimento ao meu trabalho. Aprender como contar uma história me ajudou a descobrir a minha própria história.”