Liderança feminina
 

Liderança feminina

É possível ter sucesso sem culpa
“Sempre procurei eliminar a culpa das minhas decisões. Cada opção que você faz, está abrindo mão de outras e se aquilo gera uma culpa, tem que ser recalculado, repensado e você tem que tomar outro rumo”

Uma jovem mulher que descobriu seu melhor caminho para se desenvolver e crescer: eliminar a culpa do vocabulário e não deixar passar uma oportunidade sem ser considerada. Esta é Ana Paula Antunes, que aos 41 anos é Diretora de Operações de toda uma planta da Abbott no Rio de Janeiro, conduzindo o trabalho de mais de 300 colaboradores e liderando nove gerentes diretos.

Ana Paula tem a inquietação dos que gostam de desafios. “Sou movida a novos projetos, estou sempre em busca de oportunidades”, confessa. Foi assim que, mesmo estando há mais de 18 anos na mesma empresa, manteve a sensação de ter passado por diversas companhias.

Começou como analista e logo identificou a oportunidade de participar do processo de seleção para um programa de trainees. “Nunca desperdicei uma oportunidade, mas sempre digo que você tem que procurar por elas, elas não caem no nosso colo de repente, e você precisa estar sempre disposto ao desafio”, conta.

Dessa forma, Ana Paula pôde conhecer todas as áreas do negócio em um programa de job rotation desenvolvido para os trainees. Ao finalizar, ficou na diretoria de Operações, onde iniciaria o trabalho de Garantia de Qualidade. Sua promoção para gerente ocorreu quando estava grávida do primeiro filho. “Aceitei e trabalhei até o fim, com muita vontade, por que era um desafio muito estimulante, estávamos  trabalhando para conseguir uma certificação muito importante”, lembra Ana Paula, que hoje tem um casal de filhos, com 14 e 7 anos.

A parceria com o marido, com quem está casada desde os 19 anos, conta bastante na tomada de suas decisões. “Todas as minhas decisões são compartilhadas, nunca aceitei um desafio sem levar para minha família e debatermos cada ponto juntos, deixando claro tudo o que ganharíamos ou perderíamos com isso”. É assim que as obrigações diárias são divididas, os laços de parceria criados, e a culpa pelo que não é possível, excluída.

“Sempre procurei eliminar a culpa das minhas decisões. Cada opção que você faz, está abrindo mão de outras e se aquilo gera uma culpa, tem que ser recalculado, repensado e você tem que tomar outro rumo”. Por isso, ela consegue manter o foco no momento presente e se dedicar ao máximo. “Quando vou para o trabalho, deixo avisado em casa para me ligarem apenas se for realmente necessário. O mesmo acontece com o trabalho, raras vezes levo o computador para casa e procuro fazer tudo dentro do meu horário”, conta.

E no trabalho as negociações também são constantes, destacando a marca agregadora que Ana Paula conquistou. A planta comandada por ela recebeu o título de melhor fábrica da Abbott  no último ano e o orgulho transparece quando fala de sua equipe. “Não sou uma pessoa de passar a  mão na cabeça, às vezes preciso ser um pouco dura, mas é um grande orgulho  ver minha equipe sempre trabalhando motivada e envolvida, se sentindo parte fundamental das conquistas”, comenta.

Os próximos passos da diretora estão voltados para a consolidação de seu trabalho. “Estou há três anos nesta função e ainda tem muito projeto dentro da minha própria área para ser conquistado. Vejo o futuro aproveitando cada vez mais meus momentos em família, me consolidando na posição atual e, quem sabe, retomar um hobby do passado, que era a música, pois sempre gostei de tocar piano”.